sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O Sagrado Coração de Jesus esquecido pelos Homens

A primeira sexta-feira do mês é dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, partilho as orações deste dia:
Estão aqui na página 26, são o Acto de Desagravo ao Sagrado Coração de Jesus e o Acto de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Estas orações dizem tanto à nossa sociedade, lembram-nos os "esquecimentos, friezas e desprezos dos Homens para com a infinita caridade de Jesus" e lembram "aqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do baptismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei".

Para quem quiser reflectir e ler sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus deixo também a encíclica do Papa Pio XII sobre esta devoção.

Vejamos o quanto tão longe estamos do Sagrado Coração constatando a diferença de mensagem dos nossos Bispos, que passou da união das almas com Deus para a simples união fraternal entre os Homens:

Mensagem dos Bispos de Portugal em 1967

“A Mensagem de Nossa Senhora aos pastorinhos da Cova da Iria põe de frente e em cheio este problema: não ofendam mais Nosso Senhor. A guerra é castigo do pecado neste mundo, e, se não houver emenda, o castigo final será a irreparável condenação eterna do Inferno. Quando Nossa Senhora pede que se reze o terço para que a guerra acabe, Ela desencadeia uma grande ofensiva de paz, que não é apenas a paz das armas, mas sobretudo a paz das almas com Deus...
Cada pecado mortal que nós conseguimos evitar, cada alma que nós conseguimos trazer à reconciliação com Deus, é um passo enorme no caminho da paz.”

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Fatima50/N01/N01_master/Fatima50_A1_N01_13Mai1967.pdf

Pastoral colectiva do episcopado português, revista Fátima 50 Ano 1 n.º 1, 13 de Maio de 1967, pág.16 (14 no pdf)
 Mensagem dos Bispos de Portugal
em 2016

“Fiéis ao carisma de Fátima, somos chamados a acolher o convite à promoção e defesa da paz entre os povos, denunciando e opondo-nos aos mecanismos perversos que enfrentam raças e nações: a arrogância racionalista e individualista, o egoísmo indiferente e subjetivista, a economia sem moral ou a política sem compaixão. Fátima ergue-se como palavra profética de denúncia do mal e compromisso com o bem, na promoção da justiça e da paz, na valorização e respeito pela dignidade de cada ser humano.”

http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/wp-content/uploads/CEP_CartaPastoral_CentenarioFatima.pdf

Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, 8 de dezembro de 2016, pág. 11.

Esquecendo o que Deus nos deu e fez por nós abandonamos a Verdade e a Vida, passamos a querer apenas ter uma vida melhor, mais preenchida. Em vez de Deus ser a fonte e destino da Vida passou a ser um melhoramento para a nossa vida.
Perante esta triste constatação seguem-se então as orações ao Sagrado Coração, tão esquecido pelos Homens:





Depois de rezarmos ao Sagrado Coração podemos ler toda a mensagem dos nossos Bispos de 1967, perante o que nos diziam e o que não nos dizem agora ressoa a questão que Josué há poucos dias nos colocava: «Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha família serviremos o Senhor».

Quem vamos servir? O Senhor, Deus da Igreja de todos os tempos que nos chama à conversão ou o Mundo em que apenas nos lembramos de Deus para melhorar e tornar a nossa vida mais preenchida?

Mensagem dos Bispos de Portugal em 1967:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Fatima50/N01/N01_master/Fatima50_A1_N01_13Mai1967.pdf








quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Os fariseus do século XXI

Excelente texto e explicação do padre Paulo Ricardo sobre os fariseus e como a sociedade actual se afastou tanto de Deus, pode-se ler aqui: «Os fariseus do século XXI»


Os fariseus do século XXI

Se, como ensina Jesus, os fariseus são aqueles que abandonaram “o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”, nossa época está cheia deles. E nem é preciso procurar muito.

No Evangelho deste domingo, Nosso Senhor repreende com dureza os fariseus:
Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos” (Is 29, 13). Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens (Mc 7, 6-8).
Nessa passagem, Jesus põe em contraste o “mandamento” de Deus e a “tradição” dos homens. À luz da história da salvação, porém, nós sabemos que se trata de duas tradições (já que traditio vem do verbo latino trado, “transmitir, entregar”): os Mandamentos são uma tradição divina, pois tem como origem o próprio Deus. Foi o próprio Senhor que entregou a Moisés as tábuas da Antiga Lei. Por isso, desde o início, a tradição judaico-cristã é não uma tradição como outra qualquer, mas a Tradição por excelência.

Nas religiões naturais, são os homens que repassam aos outros o que pensam e acreditam a respeito da divindade, num plano meramente horizontal. No judaísmo e no cristianismo, ao contrário, é Deus mesmo que vem ao encontro do homem. Deixar essa tradição, portanto — a Tradição —, é renunciar ao relacionamento com Deus, que é vertical, reduzindo tudo às coisas deste mundo.
Sobre esse abandono do sobrenatural, o Venerável Fulton Sheen se pronunciou certa vez nos termos seguintes:
Antigamente, vivia o homem em um universo tridimensional onde, de uma terra que ele habitava com seus vizinhos, avistava acima o céu e abaixo o inferno. Esquecendo Deus, a sua visão do homem ficou ultimamente reduzida a uma só dimensão. Acha agora que sua atividade esteja limitada à superfície da terra: um plano sobre o qual se move, não subindo para Deus ou descendo para Satanás, mas somente para a direita ou para a esquerda. A velha divisão teológica dos que se acham no estado de graça e dos que não estão deu lugar à separação política entre direitistas e esquerdistas. A alma moderna limitou definitivamente seus horizontes [1].
Embora faça menção explícita a uma “separação política”, Fulton Sheen está falando aqui de um problema fundamentalmente de : o homem moderno deixou de acreditar na Igreja, em Cristo e, em última instância, até no próprio Deus. Com isso, e porque o homem é um ser essencialmente religioso, ele passou a acreditar em outras coisas — ou até, como dizia Chesterton, em qualquer coisa. A imagem bíblica dos salvos e condenados, a distinção agostiniana entre “cidade de Deus” e “cidade dos homens” foi deixada de lado, dando lugar às mais variadas distinções: direita e esquerda, ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e negros etc. Não sem razão nossa época vive em conflitos constantes e intermináveis.
Mas a falta de fé de nosso século está atrelada principalmente a um problema de natureza moral. Chesterton já havia “profetizado”, por assim dizer, que a “próxima grande heresia” seria “um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual” [2]. Como as duas coisas se conectam é muito fácil entender:
A transgressão contínua e culpável da lei de Deus (desonestidades, negócios sujos etc.) produz na alma do pecador um desassossego cada vez maior contra a lei de Deus, que o proíbe de entregar-se com tranquilidade a suas desordens. Essa situação psicológica deve desembocar logicamente, mais cedo ou mais tarde, em uma destas duas soluções: o abandono do pecado ou o abandono da fé. Se a isso acrescentamos que Deus vai retirando cada vez mais suas graças e suas luzes como castigo pelos pecados cometidos, não é de se maravilhar que o desgraçado pecador acabe apostatando da fé.

Não há dúvida: a imoralidade desenfreada que reina no mundo de hoje é uma das causas principalíssimas — a mais importante depois da propaganda materialista e ateia — da descristianização cada vez maior da sociedade moderna. O mesmo Cristo nos avisa no Evangelho que “todo o que pratica o mal odeia a luz” (Jo 3, 20). Não há nada que cegue tanto como a obstinação no pecado. [3]
Em suma, nossa época abandonou a Tradição e a prática dos Mandamentos porque deixou o seu coração corromper-se com o que Jesus fala ainda no Evangelho dos fariseus: “as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo” (Mc 7, 21-22).

Como consequência dessa falta de fé, a modernidade criou seus próprios “sistemas” morais; assim como os fariseus da época de Jesus, também nossos contemporâneos possuem as suas “tradições”. Por não viverem de acordo com aquilo em que acreditavam, passaram a acreditar no modo como vivem. Eles abandonaram a doutrina católica pelo “politicamente correto”: pecado, agora, é não aceitar o aborto, o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, as relações pré-matrimoniais e tudo o que o mundo apoia, aplaude e incentiva.

O farisaísmo de nossa época é este: a despeito da Palavra de Deus, que é muito clara a respeito do “salário do pecado” (Rm 6, 23) — e do que seja pecado! —, que mui claramente afirma que “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes possuirão o Reino de Deus” (1Cor 6, 9-10), nós estamos convencidos de que o inferno não existe e, se existe, está vazio e não precisamos nos preocupar com ele; nós deixamos de falar do Céu para concentrar nossos esforços na “construção de um mundo melhor”; e também, como consequência disso, não falamos mais de pecado e a única coisa que tememos agora é, quando muito, o juízo dos homens. 

De onde quer que nossos contemporâneos tenham tirado todas essas coisas, uma coisa nós sabemos: dos Mandamentos e da Tradição é que não foi. Quem folhear todas as páginas das Escrituras, dos Santos Padres e dos Concílios não achará uma linha sequer em defesa de suas teses mirabolantes — porque, afinal, é disso que se trata: ideias fabricadas, “fábulas” inventadas tão-somente para o prazer daqueles que escutam. Estamos no período profetizado pelo Apóstolo: “tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação” e, “levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si, apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2Tm 4, 3-4).

Foi a estas pessoas que Jesus chamou “hipócritas”: as que abandonam “o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. São os fariseus do século XXI.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Eram como ovelhas sem pastor

"Naquele tempo, os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas." (Mc 6, 30-34)

Seguindo o exemplo de Jesus paremos também nós um pouco para descansar. Sigamos também para um lugar isolado, para o nosso quarto mais secreto e na proximidade de Deus contemplemos a grande multidão e tenhamos dela compaixão. Tenhamos compaixão dos que vão distraídos no mundo como se Deus não existisse, daqueles a quem não foi transmitida a Verdade, daqueles a quem não foi mostrada a Vida, daqueles a quem não foi ensinado o Caminho, dos que desconhecem a Fé e a doutrina, dos que procuram o Amor mas esquecem os mandamentos, dos que procuram a felicidade no mundo e não lhes foi mostrada a felicidade do Céu, dos que não são chamados à conversão cuja salvação da alma fica abandonada à sorte, dos pequeninos que ficam a desconhecer o Deus que os criou e ficam apenas a conhecer uma parte, dos que procuram ser católicos mas ficam abandonados num cómodo protestantismo à medida de cada um, dos que desconhecem a necessidade de salvação da alma, dos que esquecem de receber o Senhor como Pastor e Guia.
Nos nossos dias é grande a multidão que são como ovelhas sem pastor!


"Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado"

Neste tempo de crise de Fé, de abandono da Verdade, de relativização da Fé em troca de uma aparente solução dos problemas no mundo coloquemos mãos à obra. Tenhamos compaixão da multidão e comecemos a ensinar-lhes muitas coisas, a ajudar que a Fé não se perca!


Como ovelhas sem pastor está a multidão, abandonada no modernismo, na solução aparente dos problemas no mundo esquecendo o motivo principal porque veio Jesus. Quem as ajuda a viver na Graça de Deus, a procurar a sua santificação e a salvação da alma? Quem as ajuda a conhecer Jesus e não apenas um cómodo amigo? Quem lhes lembra que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus? Quem os chama a procurar o alimento de vida eterna? Quem confirma os irmãos na Fé? Quem lhes mostra a Esperança do Céu e a ajuda que Deus dá para lá chegar? Quem ensina a amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças? Quem lhes ensina o motivo porque foram criados?

Redenção e salvação
Jesus deu a vida na Cruz por todos, é essa a Redenção e esta foi realizada por todos, para que todos se salvem. Mas nem todos se aproximam de Jesus, nem todos O recebem e reconhecem de forma a poderem alcançar a salvação que Ele nos oferece. Se existisse uma salvação universal em que todos vão para o Céu porque havia de Jesus nos deixar a Igreja e os Sacramentos? É porque realmente precisamos da Sua ajuda para alcançarmos a Salvação e chegarmos ao Céu. É porque existe realmente um destino diferente se acolhemos ou não Jesus.

"Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela." (Mt 16, 18) 

"Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado." (Mc 16, 16)

"Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus." (Jo 3, 5)

"Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede. Mas já vo-lo disse: vós vistes-me e não credes. Todos os que o Pai me dá virão a mim; e quem vier a mim Eu não o rejeitarei, porque desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6, 40)

"Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo." (Jo 6, 51)

Salvação e o Reino de Deus
Jesus quer nos dar um lugar no Reino de Deus, a plenitude desse Reino será alcançada no fim-dos-tempos quando Jesus voltar. Aí seremos separados conforme a nossa Fé e as nossas obras. A Salvação que Jesus nos dá é o caminho para alcançarmos o Seu Reino.
Agora no mundo durante a nossa vida colocamos no mundo as sementes do Reino, trabalhando com Fé e obras, criamos um mundo melhor mas sempre com o objectivo de edificação de um lugar no Céu, no Seu Reino. Como cristãos é nosso dever trabalharmos para termos um mundo melhor, mas esse não é o nosso objectivo final, o nosso objectivo é sempre o Céu! Assim a Salvação que vamos vivendo no mundo é vivermos na Graça de Deus a caminho do Céu!

"Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração."(Mt 6, 19-21)

"Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida?" (Mt 16, 24-26)

O mundo
O mundo foi criado por Deus com muito amor e nele podemos ver reflectido o Amor e a beleza de Deus. Por isso sempre com o olhar no Céu, desejando conhecer, amar e servir a Deus, trabalhando para a santificação e salvação nossa e do nosso próximo, vamos construindo um mundo melhor. Onde se possa viver as sementes do Reino, com justiça e misericórdia. Vamos vivendo as bem-aventuranças, procurando a santidade que começa nas coisas simples do dia a dia e que vai até ao desejo de contemplar Deus e viver apenas da Sua Graça.
Contudo no mundo se esquecermos Deus facilmente ficamos escravos do pecado, por isso tudo o que fazemos não é para servir o Homem ou o mundo, o que fazemos faz parte do Amor de Deus, faz parte de conhecer, amar e servir a Deus, faz parte do caminho e do desejo de alcançarmos um lugar no Seu Reino.

"Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." (Mt 6, 24).

"Vós, porém, não quereis vir a mim, para terdes a vida! Eu não ando à procura de receber glória dos homens; a vós já vos conheço, e sei que não há em vós o amor de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; se outro viesse em seu próprio nome, a esse já o receberíeis. Como vos é possível acreditar, se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único?" (Jo 5, 40-44)

Católicos ou protestantes?
A grande diferença entre ser católico e protestante está na relação e na forma como recebemos a Fé. No caso protestante estuda-se a Fé e as Escrituras e chegamos a uma opinião de como se aplicam a nós, em que se acredita e em que não se acredita.
No caso católico recebemos a transmissão da Fé de forma completa, é nos transmitida a Verdade e perante ela nós convertemo-nos de forma a passarmos a viver segundo a Verdade. Acreditamos em todo o depósito da Fé, está ali a Verdade que Jesus nos deu e nós procuramos compreender e viver o que pertence à Verdade, pois ali está o que é justo e verdadeiro. Se alguma coisa não compreendemos ou temos dificuldade de aceitar não a vamos descartar ou ignorar, fazemos um caminho para compreender pois sabemos que o que está certo é o que Jesus nos deu e não a nossa dificuldade de compreensão.


A divisão
Como o espírito do mundo e a relativização entraram no meio de nós, vamos muitas vezes como ovelhas sem pastor pois infelizmente temos situações que ocorrem habitualmente mas que vão contra o que a Igreja ensina e definiu como norma.
  • Sacerdotes e religiosos vestidos como leigos, quando o Vaticano II não pediu isso e a conferência episcopal indica que devem usar batina ou roupa que os identifique como sacerdotes e religiosos.
  • Na oração Eucarística dizer «por todos» em vez de «por muitos» durante a consagração do vinho no Sangue do Senhor, quando nas Escrituras sempre esteve escrito «por muitos» e tendo os Papas São João Paulo II e Bento XVI pedido que se alterasse e se passasse a dizer «por muitos».
  • Ter-se tornado a comunhão na mão como prática habitual, quando a norma definida pela Igreja é comungar na boca e a comunhão na mão é apenas uma opção, tendo sido iniciada essa forma em desobediência ao Papa Beato Paulo VI e tendo o Papa Beato Paulo VI pedido para se conservar como prática habitual a comunhão na boca.
  • Ter ministros extraordinários da comunhão em todas as missas de Domingo quando a Igreja e os Papas São João Paulo II e Bento XVI pediram para só se utilizarem em situações excepcionais.
  • Termos a celebração da missa voltada para o povo, quando o Vaticano II não pediu isso, estando as instruções do missal a dar a entender que a celebração é voltada para o oriente litúrgico, e a única indicação sobre ser voltada para o povo é com base numa tradução errada da instrução do missal.
  • Ter-se removido o Sacrário do centro da Igreja, quando o Vaticano II não pediu isso.
  • Ter-se abandonado o canto gregoriano, quando o Vaticano II não pediu isso, pelo contrário incentivou-o.
  • Ter-se acabado com o latim na missa, quando o Vaticano II não pediu para abandonar o latim completamente, pelo contrário incentivou os fiéis a conseguirem dar respostas em latim.
"Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar; e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir." (Mc 3, 24-25)

Esperança
Tenhamos esperança pois "Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade" (1Tm 2, 4). A Salvação faz-se ao longo do Caminho no mundo e mesmo que a multidão se tenha afastado do Caminho há sempre a possibilidade de ajudar, pois Deus está sempre pronto a receber e a perdoar. Ponhamos mãos à obra para lhes mostrarmos a Vida maior do que a vida no mundo, por mostrarmos a Verdade e ajudarmos à conversão, a acreditarem. Por amor a Deus e ao próximo ponhamos mãos à obra pois há sempre esperança!

"Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça."
Oração depois da comunhão.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Porque alguns não acreditam?

Partilho aqui as minhas respostas a duas questões que me colocaram «Que é acreditar em Deus?» e «O problema não é gramatical. É saber como se acredita na prática, como se reliza isso?».

Podem também partilhar as vossas respostas e colocar dúvidas para encontrarmos a melhor forma de ajudar quem não acredita.


«Que é acreditar em Deus?»
É acreditar no Deus único e verdadeiro que Jesus nos revelou.
Aqui inclui-se acreditar na Vida que vai para além do mundo, onde Deus nos amou ainda antes de existirmos e que quer que alcancemos essa Vida plena no Seu Reino.
Inclui-se acreditar na Verdade que nos indica que no mundo somos peregrinos para a nossa verdadeira casa que é o Céu e que no mundo estamos presos ao pecado e à morte eterna, cuja libertação obtemos pela Graça de Deus. Que fomos criados por Deus para O conhecermos, amarmos e servirmos.
Inclui-se acreditar no Caminho que é o próprio Jesus, Verbo de Deus, nosso Pastor e Guia que nos conduz na Graça de Deus para alcançarmos o Seu Reino, cumprindo a vontade de Deus. Caminho que mais do que nos humanizar e ajudar a formar uma comunidade de irmãos nos inscreve no Livro da Vida.
Inclui-se compreender o abismo que nos separava de Deus e que só com o Seu auxilio conseguimos alcançar a Salvação, que devemos perserverar na Fé e nas boas obras, permanecer na Igreja por Ele fundada, que é o Corpo Místico de Cristo, começo e semente do Seu Reino na Terra.
Inclui-se compreender que o pecado para além de nos desumanizar e afastar dos irmãos nos afasta da Graça de Deus e da Salvação.


«O problema não é gramatical. É saber como se acredita na prática, como se reliza isso?».
Realiza-se da seguinte forma:
A Fé é acreditar em Deus e no que nos revelou.
Perante a transmissão do depósito da Fé (o que indiquei na outra resposta) o Homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, dá assentimento a Deus revelador, auxiliado pela Graça de Deus.
Mas para ser movido a acreditar e procurar a Fé é necessário primeiro ser movido pela Graça de Deus, o Homem sozinho não o consegue fazer.
Porque então alguns não acreditam e não procuram, Deus não lhes dá essa Graça?
Pelo contrário, dá e deu-lhes possívelmente várias vezes, mas o Homem se estiver ocupado e distraído em obras que não são boas não repara na Graça e afasta-a:
"Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus. E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más. De facto, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que as suas acções não sejam desmascaradas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos são feitos segundo Deus." (Jo 3, 18-21)

Assim na prática são necessárias duas coisas:
- Transmitir a Verdade, o depósito da Fé completo e não apenas as coisas boas e humanamente bonitas
- Proporcionar às pessoas momentos onde a Graça possa agir e elas se possam abrir e descobrir a Graça que lhes está a ser dada para se moverem a caminho da Fé

Por isso para o primeiro ponto é importante não reduzirmos Jesus a um bom amigo, à alegria do Evangelho, ao amor, esquecendo que somos chamados a ser Filhos de Deus, falar da salvação e do pecado de forma clara, temos de falar do Caminho, da Verdade e da Vida e não apenas numa espécie de salvação no mundo, numa vida melhor, temos de falar na vida na Graça de Deus. Tudo não porque é bom para nós mas porque é o justo e verdadeiro.

Por isso para o segundo ponto é tão importante não se reduzir a missa a convivio comunitário, celebração da alegria e da fraternidade entre os irmãos mas dar espaço ao oferecimento, ao silêncio, aprender a rezar intimamente, ver o Calvário no Altar, dar espaço à devoção e à piedade, aprender a simplesmente estar na casa de Deus e não estar sempre ocupado num levanta/senta/canta/responde.

Por isso para o segundo ponto é tão importante aprendermos a fazer as coisas para Deus sem termos de colocar-nos sempre no centro das atenções, a área do santuário da igreja é um bom exemplo onde em vez de se tornar sagradamente um espaço onde tudo é dedicado a Deus como quem abre uma janela para o Céu não faltam ali elementos humanos como faixas com palavras, adornos como se fosse um palco a falar da nossa vida no mundo, onde se retiraram os santos e a beleza, onde se retirou o sacrário, onde o padre se torna o centro da atenção, tudo coisas que tapam a vista da janela para o Céu.

Por isso para o segundo ponto é tão importante termos igrejas belas onde se entra e se respira logo uma atmosfera diferente. Precisamos de tornar o nosso agir e as nossas comunidades em espaço de devoção e piedade.

Transformamos tudo de forma a ser humanamente enriquecedor, onde se celebra a alegria e o amor, isto para quem acredita até pode ser bom mas esquecemo-nos dos que não acreditam, colocamo-nos entre eles e a Graça que lhes estava a ser dada. Estamos a dizer-lhes vê-de como é belo acreditar mas eles sem a Graça inicial não vão perceber.
 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Jesus de Nazaré

Hoje em dia é comum ter-se uma ideia romântica de Jesus como alguém que veio anunciar o amor e a paz, que é inclusivo, tolerante, não julgava ninguém, veio promover um mundo melhor e uma forma de vida mais humana e solidária. Muitas vezes falamos e ouvimos falar de Jesus como um bom amigo, como quem nos quer dar uma vida mais preenchida, como quem vem realizar a verdadeira humanização da vida.

Estes são alguns dos atributos de Jesus mas ficar por aqui com esta imagem cómoda de Jesus é um dos motivos da crise de Fé que vivemos. É uma imagem construída por influência do modernismo, do espírito do mundo em que nós e a nossa felicidade são o nosso absoluto, o nosso fim e desejo, assim a religião e a Fé serão para nos completar e ajudar. É esta uma imagem cómoda e confortável, diferente do Jesus real do Evangelho, é uma imagem que nos transforma de certa forma em católico-protestantes, construindo um Evangelho à nossa medida. Este erro não nos vai chamar à conversão, a acreditar.


Hoje em dia não falamos sobre a Verdade, tudo é relativo. Falamos de verdades, que no fundo são preferências. O que uma pessoa acredita é tão importante como o que outra pessoa acredita independentemente do que seja verdade ou não. A sociedade moderna abandonou a Verdade em favor da preferência. Este é um dos frutos da sociedade moderna. Ela determina que isso é igualdade e tolerância. Mas na verdade a tolerância não é indiferença, assim se o próximo está errado é uma obra de misericórdia corrigir quem erra e ensinar quem não sabe.

Vamos então descobrir o verdadeiro Jesus, pois só poderemos compreender quanto nos ama se virmos as coisas pelo olhar de Deus que é o Bem. E como podemos amar Jesus se O não conhecermos?


"Certo chefe perguntou-lhe, então: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» Respondeu-lhe Jesus: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.»" (Lc 18, 18-19) 

Jesus ensina-nos que a medida do Bem e da nossa felicidade é Deus e só aí descobriremos o verdadeiro amor, justiça e misericórdia. Sem a Verdade e o Bem de Deus não existe o verdadeiro amor.

A Boa Nova
A mensagem principal do Evangelho não é o amor a Deus e ao próximo. Esses ensinamentos são essenciais para sermos cristãos e essenciais para alcançar a vida eterna, mas eles não são a Boa Nova. De certa forma eles já eram conhecidos no antigo testamento. A Boa Nova também não é entender a vida como um dom em entrega por amor aos irmãos, nem é descobrirmos que ser feliz significa fazer os outros felizes. Tudo isso faz parte do ser cristão mas a Boa Nova vai ainda mais longe.
A Boa Nova do Evangelho é a Ressurreição de Cristo, e consequentemente a Divindade de Cristo (da qual a Sua ressurreição corporal é a prova suprema), assim como o facto de que a Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus nos redimiu e abriu para nós as portas do céu, as quais podemos alcançar através da cooperação com a graça de Deus, levando-nos ao arrependimento e à conversão.
Assim, a Boa Nova é que Jesus é Deus e Ele nos redimiu, fundou uma Igreja para preservar os Seus ensinamentos e os Seus Sacramentos, e que podemos entrar na vida eterna e no Seu Reino se cooperarmos com Sua graça salvadora.

São Paulo explica da seguinte forma este ponto central e fundamental da Fé: "Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. E resulta até que acabamos por ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, quando não o teria ressuscitado, se é que, na verdade, os mortos não ressuscitam. Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados. Por conseguinte, aqueles que morreram em Cristo, perderam-se. E se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." (1 Cor 15, 14-19).

Conversão
No anúncio da Boa Nova Jesus ensinou claramente que o arrependimento e a conversão são necessários para a aceitação da mensagem do Evangelho e a entrada na vida eterna:
"Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho." (Mc 1, 14-15).
"A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»" (Mt 4, 17).
A partir do momento em que acreditamos que Jesus é mesmo o Filho de Deus a conversão é fundamental para O conhecermos e recebermos. No fundo conversão significa colocar o coração em Deus.

Arrependimento e pecado
Outra ideia incorrecta é pensarmos num Jesus inclusivo, que convivia com todos, justos e pecadores, para os fazer felizes, com todos é tolerante e não os julgava. A verdade é que Jesus convivia com todos, indicou até que veio principalmente para os pecadores, contudo ajudava-os sempre a reflectir sobre o pecado, levantava-os e ajudava-os a abandonar o pecado, indicando-lhes também para não voltarem a pecar."Jesus tomou a palavra e disse-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores."(Lc 5, 31-32).
Nisto usava de paciência e indicava que devemos perdoar sempre ao nosso próximo, indicando também que assim como fizermos Deus fará connosco.
"Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete." (Mt 18, 21-22) e "Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos...O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração."(Mt 18, 23-35).
"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas." (Mt 6, 14-15).


Jesus, os fariseus e os doutores da Lei
Muitas vezes quem refere a importância de se guardar os mandamentos é acusado de ser rígido, de ser como os fariseus. A ideia é que os fariseus e doutores da Lei obrigavam ao cumprimento da Lei e Jesus veio libertar as pessoas da Lei e dos mandamentos. É a ideia que agora tudo se resume ao amor e a fazer as pessoas felizes. Aqui existem várias ideias erradas.

Em primeiro lugar Jesus não veio abolir a Lei mas sim levá-la à perfeição:
"Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu." (Mt 5, 17-20).
Assim o que Jesus nos indica é que a observância da lei, por si só, sem caridade, não é o que agrada a Deus. É para se cumprir a Lei e os mandamentos, não é a nossa suposta felicidade que vai fazer-nos escolher se cumprimos ou não. Mas o seu cumprimento deve ser feito com amor e justiça, por amor a Deus e ao próximo.

Jesus indica também que quem O ama guarda os mandamentos, "Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele." (Jo 14, 21). Não se pode amar Jesus sem guardar e observar os mandamentos, fazendo isso sempre com amor, justiça e Caridade.

Jesus condenou os fariseus e doutores da Lei por causa da sua hipocrisia, em que diziam uma coisa e faziam outra. "Os doutores da Lei e os fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés. Fazei, pois, e observai tudo o que eles disserem, mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem." (Mt 23, 2-3). Novamente Jesus indica que se deve seguir a Lei e os mandamentos mas não na forma como os fariseus e doutores da Lei o fazem, hipocritamente.

Jesus condena também os doutores da Lei que enquanto exibem um seguimento da Lei ao mesmo tempo se desviam dela quando é conveniente para eles e para serem vistos e bem considerados pelos outros. Aqui está um ponto fundamental para nós hoje em dia, pois actualmente sobre uma aparente tolerância sugere-se que perante alguém que peca não devemos julgar. Está correcto que não devemos julgar a pessoa mas devemos ajudá-la a ultrapassar o pecado, levantá-la, ajudá-la a olhar mais longe, a olhar para o Bem. Se por uma aparente tolerância simplesmente não julgamos e passamos adiante corremos o risco de sermos como os doutores da Lei aos quais Jesus dizia que "por fora pareceis justos aos olhos dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade" (Mt 23, 28).

Mesmo que muitos fariseus não gostassem de Jesus e fossem condenados por Ele existiram alguns que eram sinceros e procuravam a Verdade, tais como Nicodemos e José de Arimateia.

Também importante para os nossos dias é o exemplo que Jesus dá em relação aos Saduceus em (Marcos 12, 18-27): "Vieram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-no...Disse Jesus: «Não andareis enganados por desconhecer as Escrituras e o poder de Deus?". Nesta passagem Jesus indica que os Saduceus estão errados no seu entendimento da Sagrada Escritura e na sua rejeição do sobrenatural. Isto acontece várias vezes também connosco quando esquecemos todo o lado sobrenatural e aplicamos o Evangelho apenas à nossa vida na terra.

"Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.» E acrescentou: «Anulais a vosso bel-prazer o mandamento de Deus, para observardes a vossa tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: "Se alguém afirmar ao pai ou à mãe: ‘Declaro Qorban’ - isto é, oferta ao Senhor - aquilo que poderias receber de mim...", nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, anulando a palavra de Deus com a tradição que tendes transmitido. E fazeis muitas outras coisas do mesmo género.»" (Mc 7, 8-13).

Assim, Jesus tinha mais em comum doutrinalmente com os fariseus do que com os saduceus. Jesus apoiou o ensino dos fariseus sobre a lei. O Seu desacordo acontece devido à colocação de tradições puramente humanas ao mesmo nível da Lei e até mesmo permitir que tais tradições neguem a Lei, bem como acreditar que a mera observância da Lei pode nos salvar, em oposição à dependência da graça de Deus (que não significa expulsar a lei). Jesus disse "Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu." (Mt 5, 20) e que os cristãos devem ser "perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste" (Mt 5, 48). Esse tipo de perfeição só pode ser realizado pela graça de Deus, mas não envolve rejeitar a lei positiva divina.


O mundo
Nos Evangelhos Jesus fala diversas vezes sobre a oposição que existe entre Ele e o mundo. Ainda que o mundo tenha sido criado com amor por Deus o pecado e a morte entraram nele. Assim se vivermos no mundo indiferentes ou esquecidos de Deus é normal ficarmos escravos do pecado. É esta oposição que Jesus nos recorda, cuja salvação nos vem oferecer.
"Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo.
Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo, e por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade." (Jo 17, 14-19)


O mundo onde nascemos não é compatível com Deus por causa do pecado e da nossa natureza, fruto do pecado original. Por isso necessitamos de salvação, sem Jesus já estavamos condenados. É o abismo que existe entre o mundo e Deus, "entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós." (Lc 16, 26).


A promoção da paz
No mundo pensamos na paz como tendo a humanidade a viver fraternalmente. Contudo a paz que Jesus nos vem dar é diferente da do mundo. Este viver fraternalmente da humanidade se for à custa do abandono e da relativização da Verdade e do esquecimento de Deus de forma a satisfazer as necessidades e a paz entre os Homens de pouco serve.
"Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou." (Jo 14, 27).
"Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu. Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la." (Mt 10, 32-39).
A paz que Jesus nos dá é vivermos na Graça de Deus, isto requer de nós conversão e acreditar. Se acreditamos a sério não podemos relativizar ou guardar o que acreditamos apenas para uma suposta paz fraternal entre os Homens. É normal então que exista divisão, diferenças.
Desta divisão também Jesus nos falou para quando ocorrer a Sua vinda no fim dos Tempos: "Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos." (Mt 25, 31- 33).


Ao mesmo tempo Jesus alertou os seus discípulos de que é normal existirem diferenças e serem julgados e condenados por outros Homens: "Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas." (Lc 6, 22-23).
Isto acontece hoje em dia na sociedade moderna que é "inclusiva" à custa da relativização da Verdade. Se alguém fala da verdadeira doutrina, da Verdade, da necessidade de abandonar o pecado é logo acusado de ser rígido e causador de divisões. A sociedade moderna esqueceu que a medida do Bem é Deus.


A condenação de quem não acreditar e seguir o caminho de salvação
Jesus mostrou-nos a Verdade e a Vida e qual o Caminho para alcançarmos a salvação. Na missão que deu aos discípulos foi claro sobre a necessidade de seguirmos esse Caminho, pois não acreditando seremos condenados.
"Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim." (Jo 14, 6).
"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!" (Mt 7, 13-14).
"Apareceu, finalmente, aos próprios Onze quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado" (Mc 16, 14-16).

Os incrédulos e a falta de Fé
Jesus lamentou a incredulidade e a falta de Fé das pessoas, os Seus milagres e as Suas obras são sobretudo para confirmar que Ele é mesmo o Filho de Deus e por isso lamenta que apesar de tantos prodígios as pessoas não acreditem e se convertam.
"Se alguém não vos receber nem escutar as vossas palavras, ao sair dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo: No dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e de Gomorra do que para aquela cidade." (Mt 10, 14-15)
"Jesus começou então a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido: «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sídon, de há muito se teriam convertido, vestindo-se de saco e com cinza. Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. E tu, Cafarnaúm, julgas que serás exaltada até ao céu? Serás precipitada no abismo. Porque, se os milagres que em ti se realizaram tivessem sido feitos em Sodoma, ela ainda hoje existiria. Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para os de Sodoma do que para ti." (Mt 11, 20-24)
"Intervieram, então, alguns doutores da Lei e fariseus, que lhe disseram: «Mestre, queremos ver um sinal feito por ti.». Ele respondeu-lhes: «Geração má e adúltera! Reclama um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, a não ser o do profeta Jonas. Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites. No dia do juízo, os habitantes de Nínive hão-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque fizeram penitência quando ouviram a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é maior do que Jonas! No dia do juízo, a rainha do Sul há-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está alguém que é maior do que Salomão!»" (Mt 12, 38-42).


Advertência sobre o pecado
Jesus salientou a importância de abandonarmos o pecado. O pecado não é apenas algo que nos desumaniza é para além disso um viver segundo a lógica do mundo, longe da Graça de Deus. Foi para nos libertar do pecado que Jesus nos salvou, não podemos acreditar sem conversão, sem fazermos um caminho de abandono do pecado com a ajuda dos Sacramentos.
"«Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo.
Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta. Com o teu adversário mostra-te conciliador, enquanto caminhardes juntos, para não acontecer que ele te entregue ao juiz e este à guarda e te mandem para a prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá até que pagues o último centavo.»" (Mt 5, 21-26).

"Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?’ E, então, dir-lhes-ei: ‘Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’" (Mt 7,21-23).

"«Mas, se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo!
Se a tua mão ou o teu pé são para ti ocasião de queda, corta-os e lança-os para longe de ti: é melhor para ti entrares na Vida mutilado ou coxo, do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, seres lançado no fogo eterno. Se a tua vista é para ti ocasião de queda, arranca-a e lança-a para longe de ti: é melhor para ti entrares com uma só vista na Vida, do que, tendo os dois olhos, seres lançado na Geena do fogo.»" (Mt 18, 6-9).

"«Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração.
Portanto, se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora, pois é melhor perder-se um dos teus órgãos do que todo o teu corpo ser lançado à Geena. E se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora, porque é melhor perder-se um só dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado à Geena.»" (Mt 5, 27-30).

"«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.»" (Mt 5, 31-32).

Perante estas palavras difíceis Jesus indica que com a Graça de Deus é possível abandonarmos o pecado e alcançarmos a Salvação: "Jesus disse, então, aos discípulos: «Em verdade vos digo que dificilmente um rico entrará no Reino do Céu. Repito-vos: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino do Céu.» Ao ouvir isto, os discípulos ficaram estupefactos e disseram: «Então, quem pode salvar-se?» Fixando neles o olhar, Jesus disse-lhes: «Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.»" (Mt 19, 23-26).

A condenação e o Inferno
Várias vezes Jesus nos alertou para o perigo de sermos condenados, não por Deus mas porque no mundo já estavamos condenados. Jesus veio nos salvar e para isso é necessário recebe-lo, acreditar e convertermo-nos.
"Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem o poder de lançar na Geena. Sim, Eu vo-lo digo, a esse é que deveis temer." (Lc 12, 4-5).
"Aquele, porém, que me tiver negado diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. 10E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, há-de perdoar-se; mas, a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, jamais se perdoará." (Lc 12, 9-10).
"Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo." (Mt 5, 21-22).
"se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora, pois é melhor perder-se um dos teus órgãos do que todo o teu corpo ser lançado à Geena. E se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora, porque é melhor perder-se um só dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado à Geena." (Mt 5, 29-30).

Perante este perigo Jesus alerta-nos também para estarmos preparados pois não sabemos quando volta ou quando seremos chamados. Por isso devemos viver na Graça de Deus e acumular um tesouro no Céu.
"Depois, direi a mim mesmo: Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.’ Deus, porém, disse-lhe: ‘Insensato! Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida; e o que acumulaste para quem será?’ Assim acontecerá ao que amontoa para si, e não é rico em relação a Deus." (Lc 12, 19-21).
"«Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles.
Ficai a sabê-lo bem: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não teria deixado arrombar a sua casa. Estai preparados, vós também, porque o Filho do Homem chegará na hora em que menos pensais.»" (Lc 12, 35-40).


Salvação no mundo
Jesus falou-nos também para a sedução de pretendermos uma salvação no mundo, uma vida melhor, uma libertação de todas as opressões e dificuldades como se o nosso tesouro estivesse aqui no mundo. É dever do cristão ajudar e trabalhar para termos um mundo melhor, colocarmos nele as sementes do Reino, mas não é esse o fim para que veio Jesus. Jesus pede-nos para elevarmos os nossos olhares e corações para o Céu, é lá a nossa morada e o nosso tesouro. Tudo o que fazemos no mundo faz parte do caminho para chegarmos lá, à nossa verdadeira morada. Assim, Jesus censura aqueles que esperavam que Ele fosse um Messias libertador para a vida no mundo.
"Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» Por isso, Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte." (Jo 6, 14-15).
"Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo." (Jo 6, 26-27).
"Jesus encontrava-se em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Estando à mesa, chegou uma certa mulher que trazia um frasco de alabastro, com perfume de nardo puro de alto preço; partindo o frasco, derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
Alguns, indignados, disseram entre si: «Para quê este desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de trezentos denários e dar-se o dinheiro aos pobres.» E censuravam-na. Mas Jesus disse:
«Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em mim uma boa acção! Sempre tereis pobres entre vós e podereis fazer-lhes bem quando quiserdes; mas a mim, nem sempre me tereis." (Mc 14, 3-7).

O momento do milagre da multiplicação dos pães é um exemplo deste desejo. Jesus sacia a multidão não apenas para os ajudar mas sobretudo para mostrar pelo milagre que as Suas obras são de Deus. Jesus pega na fome natural das pessoas para as ajudar a encontrarem a fome de Deus, a vontade de receber o alimento de Vida Eterna. É este milagre um anúncio da Eucaristia.

Correcção fraterna
Jesus ensina-nos a obra de misericórdia de corrigir e ensinar com Caridade: "Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. Se não te der ouvidos, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Se ele se recusar a ouvi-las, comunica-o à Igreja; e, se ele se recusar a atender à própria Igreja, seja para ti como um pagão ou um cobrador de impostos." (Mt 18, 15-17).
Não podemos simplesmente não julgar, é necessário ajudar o próximo.


Os maus frutos

"Ou admitis que a árvore é boa e o seu fruto será bom, ou admitis que a árvore é má e o seu fruto será mau. Porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras! Como podeis falar de coisas boas, se sois maus? Porque a boca fala da abundância do coração. O homem bom, do seu bom tesouro, tira coisas boas; e o homem mau, do seu mau tesouro, tira coisas más. Ora, Eu digo-vos: de toda a palavra ociosa que os homens disserem, prestarão contas no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado." (Mt 12, 33-37).

Falar com clareza e sem ambiguidade
"Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal." (Mt 5, 37).

Jesus mostrou-nos que fomos criados para conhecer, amar e servir a Deus
"Assim falou Jesus. Depois, levantando os olhos ao céu, exclamou: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória, segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste. Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste." (Jo 17, 1-3).
"Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor." (Jo 15, 9-10).
"Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." (Mt 6, 24).
"Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos. Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos." (Mc 10, 43-44).

"E vós, quem dizeis que Eu sou?" (Mt 16, 15)
A esta questão Pedro respondeu que "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo." (Mt 16, 16). Está aqui a resposta para conhecermos e reconhecermos o verdadeiro Jesus, Ele é o Messias, o Filho de Deus vivo. Não é apenas um bom amigo, um mestre espiritual, um mestre de vida, Ele é de verdade o Filho de Deus. E do Deus vivo, do Deus que nos criou. É assim também o Messias que nos veio salvar pois no mundo estávamos perdidos, presos no pecado e na morte eterna. É este Jesus que nos mostra o Caminho, a Verdade e a Vida.
Não desperdicemos o dom que Jesus nos dá permanecendo seduzidos a uma imagem cómoda de Jesus, procuremos a Verdade e passemos a viver segundo a Graça de Deus.

"Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há-de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência.
Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério." (2 Tm 4, 1-5)

terça-feira, 26 de junho de 2018

Modernismo

No Evangelho Jesus diz-nos que o mundo e a lógica do mundo é contrária a Deus, devido ao pecado. E na sociedade actual vêmos isso, os valores e sentido da vida que é promovido é contrário ao Evangelho. Em muitos casos são propostos de forma tentadora valores opostos aos de Jesus. Por exemplo, hoje em dia é habitual ouvirmos falar de orgulho como um bem, como uma virtude a valorizar, ouvimos falar do orgulho de ser mulher, do orgulho da nossa orientação sexual, do orgulho da nossa raça ou etnia, etc. Mas Jesus o que nos pede é humildade, precisamente o contrário do orgulho, além de que o orgulho é um pecado capital. Se não estivermos atentos facilmente somos levados, mesmo inconscientemente, a seguir valores contrários à vida cristã. Tão longe está a sociedade de Jesus!
Esta oposição que é natural devido ao pecado, como indica o Evangelho, agravou-se devido às filosofias e ideologias que foram sendo criadas no sentido puramente humanista, ou seja, ignorando a Igreja e Deus.

O grande problema nisto tudo não é a sociedade estar assim, disso Jesus nos avisou. Os próprios Apóstolos, os primeiros cristãos e os primeiros missionários evangelizadores tiveram que enfrentar uma sociedade assim, contrária ao Evangelho. O império romano e os povos bárbaros eram contrários ao Evangelho e no entanto foram evangelizados, levaram-lhes a luz: a Fé e a conversão.

O grande problema é então quando este espírito do mundo entra nas mentes e corações daqueles que deviam ser o sal e a luz do mundo: os próprios cristãos, principalmente os pastores. E é isso que vêmos acontecer. Este mal tem um nome e fomos avisados para ele: é o modernismo. É o espírito do mundo, com as suas filosofias e ideologias alternativas à Igreja e a Deus, que entra nos corações e nas mentes dos cristãos e dos nossos pastores.

Vamos ver do que se trata.

O que não é o modernismo
O modernismo não é termos, pensarmos ou usarmos coisas modernas, ou fazermos as coisas de uma maneira mais moderna. Não existe um erro ou mal nisso por si mesmo. Como indica Santo Inácio de Loyola, devemos usar as coisas na medida em que nos aproximam de Deus e deixá-las na medida em que nos afastam de Deus. Assim, não existe um problema com o uso de coisas modernas, podemos usar computadores, telemóveis avançados, etc., o critério é sempre que nada nos leve ao afastamento de Deus.

O que é o modernismo?
O modernismo é anúnciar um Evangelho adaptado e moldado conforme às ideias e filosofias modernas, no sentido humanista, segundo o liberalismo e materialismo. É uma adaptação das doutrinas cristãs para se adequarem ao sentimento de liberdade do Homem e um obscurecimento da Verdade reduzindo-a ao seu lado material e natural, esquecendo tudo o que de sobrenatural nela existe.
Em vez de anúnciarmos o Evangelho e o Homem acreditar e se converter edificando a sua vida em Deus e para Deus é feito o contrário. O Homem vive a sua vida no mundo normalmente como qualquer pessoa de qualquer religião e o Evangelho vem apenas ajudar a viver uma vida melhor, mais realizada.
Assim vêmos que se o modernismo não é heresia facilmente pode-nos levar a ela.


Como se detecta e onde se torna evidente o modernismo?
O modernismo vê-se sobretudo pelo seguinte aspecto: o Homem é colocado no centro de tudo, é o princípio e fim do que se faz ou pensa. A medida do Bem e da justiça é o Homem e o mundo e não Deus.
Assim, sobressaiem na prática quatro aspectos:
- A incapacidade de fazer alguma coisa apenas para Deus, sem colocar-se a si ou alguém no centro da atenção. Segundo o modernista nada faz sentido se não tiver o Homem como fim ou se do que se faz não for obtido algo para o Homem ou para a vida do Homem na terra.

- O olhar e pensamento parte sempre do Homem e da sua experiência e a partir daí chega-se a uma conclusão sobre Deus, enquanto que o sentido cristão seria partir da revelação divina e tirar daí conclusões sobre o Homem e para o Homem. Portanto segundo o modernista o Homem imagina Deus enquanto que no sentido cristão seria Deus a iluminar o Homem. Daqui vem todo o relativismo moral e os mandamentos apenas como um ideal, onde tudo se adapta para o suposto bem do Homem, em que o próprio Homem define qual é o seu bem.

- O modernista demonstra uma grande incoerência, devido à subjectividade e relativização. É capaz de dizer uma coisa com convicção e logo depois fazer ou dizer o seu contrário. Por exemplo, é capaz de ao referir as pessoas que faleceram dizer que estão junto de Deus mas na oração eucarística pedir a Deus que as receba. Nesta incoerência é usada a ambiguidade e a falta de clareza como forma de agradar a quem o ouve.

- O modernista revela um gosto e vontade de novidades, de movimento. Devido à falta do lado sobrenatural não é capaz de sair de si mesmo e entregar-se a Deus. Assim, para não se aborrecer no silêncio e na tradição necessita sempre de alterar e introduzir novidades que o despertem.


O mundo actual
Na sociedade actual existe um grande esquecimento de Deus, vive-se como se Deus não existisse. Ao mesmo tempo, enquanto se ignora a mensagem cristã na morte espera-se alcançar um acolhimento da parte de Deus. Existe um sentimento generalizado de que o que devemos ser é "boas pessoas".
Este estado da sociedade moderna começou a ser edificado no renascimento, onde o Homem desenvolve todo o seu pensamento e acção baseando-se nas referências da antiguidade clássica em contraposição ao existente dogmatismo religioso. Esta edificação aprofundou-se ainda mais com o iluminismo, onde a partir de um movimento intelectual e filosófico centram-se as ideias na razão como fonte para alcançar os ideias de liberdade, progresso, tolerância, fraternidade, governo constitucional e separação da Igreja do Estado.
O mundo actual edificou-se ignorando Deus e a Igreja, está edificado na areia!
Vêmos assim já aqui dois pontos que nos afastam de Cristo: um renascimento do Homem realizado por si mesmo, intelectualmente, em contraposição ao renascimento do baptismo. E um iluminismo em que o Homem racionalmente tenta alcançar a paz e liberdade em contraposição à Luz de Cristo, única capaz de alcançar a verdadeira paz e liberdade.

As sementes
Temos então duas sementes da sociedade moderna:
- O liberalismo, em que o Homem pretende alcançar uma liberdade absoluta tendo apenas como limite a liberdade de outros Homens, esquecendo os deveres para com Deus, esquecendo Cristo como nosso Rei e Rocha edificadora da sociedade e esquecendo os deveres e caminho que devemos seguir para sermos dignos de receber as promessas de Cristo e fazermos parte do Seu Reino.

- O materialismo, em que se ignora todo o lado sobrenatural da existência limitando-nos apenas ao mundo natural e material.Todo o pensar e agir do Homem se refere à sua vida na terra e se alguma vez pensa em Deus é para o ajudar na vida na terra, reduzindo o ser cristão apenas a uma espiritualidade que o completa.

Os frutos
Como fruto principal destas sementes temos o utilitarismo em que quer a vida, quer o que se faz e pensa apenas tem valor se tiver utilidade para o Homem. Daqui surgem facilmente ideias que aceitam o aborto e a eutanásia. O próprio Deus e a religião ficam limitadas a este sentido de utilidade, apenas servem se forem para ajudar a vida na terra.
Outro fruto é o agnosticismo, como o ponto de partida são as filosofias modernas em vez da revelação divina o Homem nada sabe sobre Deus. Parte da dúvida sobre Deus, se existe ou não e a partir dessa dúvida edifica na areia o seu pensar religioso.
Segue-se assim o fruto da imanência vital, como o Evangelho e a revelação divina foram esquecidas e todo o seu pensar é reduzido ao materialismo, ao mundo visível, o Homem parte então do agnosticismo, da dúvida se Deus existe, e procura Deus dentro de si mesmo. O Homem intui por si mesmo como será Deus, se existe e que relação poderá ter connosco.

Em que o modernismo afecta o nosso ser cristão
O modernismo é completamente contrário ao Evangelho, ignora a conversão e não aproxima o Homem de Deus. Ao Homem apenas é dado algo mais para uma vida melhor. Em vez de ser o Homem que se converte a Deus é Deus que se adapta ao Homem.
Numa tabela podemos comparar o que nos diz o modernismo e o que na verdade nos diz o Evangelho, assim vêmos que este pensamento e "evangelização" na forma modernista é contrário ao Evangelho.


Modernismo
Evangelho
Parte da ignorância se Deus existe ou nãoJesus revelou-nos a existência do Deus único e verdadeiro, toda a sua vida, a explicação da Palavra de Deus e os milagres deram testemunho da existência de Deus e de que Ele é na verdade o Filho de Deus. Partimos então da certeza de que Deus existe.
O fim do Evangelho e do Reino de Deus é o Homem ter uma vida feliz e plena na terra numa comunidade de irmãos. O fim do Evangelho e do Reino de Deus é o Homem salvar a sua alma e alcançar o Céu e fazer parte do Reino de Deus quando o Senhor voltar. Isto faz-se abandonando o pecado, renascendo pelo baptismo, tendo Fé em Deus, amando a Deus com toda a alma e todas as forças e amando o próximo como a nós mesmos.
O horizonte é apenas a vida na terra, nada sabe, pensa ou diz sobre a eternidade, o Céu e o Reino de Deus quando o Senhor vier.O nosso horizonte é o Céu e o Reino de Deus quando o Senhor voltar, a vida na terra é uma peregrinação.
Os valores cristãos são reduzidos à sua utilidade na vida do dia a dia, à fraternidade, paz e felicidade entre os Homens.Os valores cristãos fazem parte do caminho que fazemos para amarmos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Fazem parte da vida cristã e ajudam-nos para que Deus viva em nós e nós n'Ele.
O único pedido e insistência de conversão é na relação entre os Homens, o pecado e o mal apenas afectam a relação entre os Homens e o mundo.A principal conversão é colocarmos o coração em Deus, amá-lO com toda a alma e todas as forças. Se amar-mos a Deus de verdade daremos bons frutos e ama-mos de verdade o nosso próximo. O pecado e o mal afectam principalmente a relação entre os Homens e Deus.
Nada sabe, pensa ou diz sobre o que acontece depois da morte. Tem uma ideia vaga de que todos vão para Deus, mas não se pensa ou fala sobre isso.Depois da morte seremos julgados no juizo particular conforme a nossa Fé e obras, quando o Senhor voltar para instaurar o Seu Reino seremos julgados no juizo universal onde seremos separados conforme a nossa Fé e as nossas obras.
Os mandamentos e toda a doutrina são apenas um ideal em que o que cada um faz depende do seu caso concreto. O fundamental é a felicidade e fraternidade entre os Homens.Os mandamentos e toda a doutrina não são um fardo, são a base para podermos viver a vida cristã e estarmos na Graça de Deus. São para os guardarmos e seguirmos com amor, justiça e misericórdia onde a medida do Bem é a Graça de Deus.
A Fé é subjectiva, é acreditar em algo que não se sabe bem ou em algo de que pouco se sabe porque nos ultrapassa, é acreditar em algo que será Deus e que nos ajuda. Ter Fé depende da experiência que cada um fizer, isto devido ao principio da imanência vital e ao esquecimento do sobrenatural e da revelação divina.A Fé é acreditar em Deus e no que nos revelou por Jesus. É acreditar em algo concreto que é Deus e na Verdade. Ainda que algumas coisas pertençam aos mistérios divinos o fundamental para termos Fé e o fundamental que devemos acreditar foi-nos revelado por Jesus. A sua transmissão e o acreditar é feito então com algo concreto, com os artigos da Fé, do Credo e do Pai-Nosso levando a uma conversão real de vida.
A Esperança é de uma vida melhor no mundo, é a paz no mundo, é vivermos todos fraternalmente no mundo.A Esperança é de alcançarmos o Céu e o Reino de Deus e de que Deus nos ajuda a alcançarmos esse fim para o qual fomos criados.
A Caridade é solidariedade entre os Homens, amarmo-nos uns aos outros independentemente do amor de Deus.A Caridade é amarmos a Deus com toda a nossa alma e todas as nossas forças e por esse amor amarmos o nosso próximo como a nós mesmos.
Deus é apenas amor, onde o amor no sentido humano será colocado no lugar de Deus, devido ao esquecimento da justiça e da santidade.Deus é amor, justiça e santidade. O maior atributo é o amor, mas por ser verdadeiro amor não se esquece da justiça e da santidade de chamar-nos e elevar-nos a valores mais altos.
A Vida que Jesus nos quer dar é uma vida feliz, plena e realizada no mundo.A Vida que Jesus nos quer dar é a Graça e a comunhão com Deus. Sermos um só com Deus como Jesus é um só com o Pai. E o pecado impede ou dificulta essa Graça e comunhão.
O Reino de Deus é a comunidade fraternal de irmãos no mundo, de qualquer religião.O Reino de Deus na terra é a Igreja, Corpo Místico de Cristo, onde Cristo é a cabeça e nós somos os membros. Quando o Senhor voltar instaurará o Seu Reino, onde de acordo com a nossa Fé e as nossas obras podemos ou não estar eternamente com Deus.
Não existe apenas uma Verdade, cada um faz o seu caminho de busca e procura. Jesus deu-nos a Verdade, nela encontramos o que precisamos de saber sobre Deus, sobre nós e sobre a Vida.
Todas as religiões são boas, sendo porventura a cristã a que, de forma imanente, consegue mais perfeitamente dizer-nos mais sobre Deus. Todas as religiões podem ter algo de verdadeiro mas contêm erros. Jesus é o verdadeiro Filho de Deus, único Caminho, Verdade e Vida, indicou-nos que ninguém pode ir para o Pai senão por Ele. Só pela religião cristã e na Igreja Católica por Ele fundada temos os elementos todos da salvação. Fora da Igreja não existe salvação é dogma e é o que está no catecismo, fora da Igreja só Deus sabe quem se salva.
A salvação é todos os Homens terem uma vida feliz, plena e realizada no mundo e/ou uma salvação universal, todos vão para Deus desde que sejam "boas pessoas". É algo que não se sabe bem, não podemos limitar a misericórdia de DeusA salvação é salvarmos a alma e alcançarmos o Céu e um lugar no Reino de Deus. Jesus deixou-nos a Igreja como barca de salvação, onde temos os elementos necessários para a alcançarmos. Para a salvação é necessário termos Fé e obras, fora da Igreja não existe salvação é dogma e é o que está no catecismo, fora da Igreja só Deus sabe quem se salva.

"Estou admirado de que tão depressa vos afasteis daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para seguirdes outro Evangelho. Que outro não há; o que há é certa gente que vos perturba e quer perverter o Evangelho de Cristo. Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema. Como anteriormente dissemos, digo agora mais uma vez: se alguém vos anuncia como Evangelho o contrário daquilo que recebestes, seja anátema.
Estarei eu agora a tentar persuadir homens ou a Deus? Ou será que estou a procurar agradar aos homens? Se ainda pretendesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo." (Gl 1, 6-10)

Crise de Fé
A Fé é um todo em que se acredita, não se pode ignorar ou retirar algo que não se aceita ou compreende, ou se tem ou não se tem. É um tesouro que é transmitido de geração em geração, para que nós, os nossos filhos e netos um dia também acreditem, com aquela alegria de acreditar sem ter visto.
É importante focarmos a missão neste ponto, no persevar e transmitir a Fé, com toda a Verdade, todos os artigos do Credo, Pai-Nosso e doutrina. É importante ajudar a conhecer bem a Fé, compreender, ajudar a acreditar, à conversão, pedindo a Graça de Deus para acreditar e ajudar a transmitir. Tudo o resto vem daqui, da Fé.

Nós acreditamos em alguém e no que ele nos diz porque esse alguém é de confiança. Assim é com a Fé, acreditamos em Deus e no que nos revelou porque em Deus podemos confiar. É com a nossa livre vontade, ajudados pela Graça de Deus que acreditamos no que nos foi transmitido. É isto ter Fé, acreditar em Deus e no todo que Deus nos revelou, é este o nosso tesouro.
Por isso a Fé não está dependente de fazermos ou não a experiência de Deus, a Fé não é acreditar em algo que nos ajuda e não é termos apenas um enriquecimento espiritual, também não é não saber o sentido da vida e o que acontece depois da morte, não é ter Jesus apenas como amigo e não é encontrar Deus por intuição nossa.

"Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé" disse Nossa Senhora de Fátima, e é este o ponto fundamental da nossa missão pois é onde assenta tudo o resto. Ter Fé, acreditar, em Deus que nos criou e na Verdade que nos revelou, com a Graça e conversão moldando a nossa vida na Vida que nos quer dar.

A crise que vivemos é uma crise de Fé porque moldamos tudo a um acreditar que sabe mais de nós do que de Deus. É uma crise presente não só entre os não crentes mas muitas vezes também entre nós em que a Fé que possuimos já não é a Fé católica, igual à dos Apóstolos e transmitida ao longo dos séculos. Muitas vezes parecemos católico-protestantes ou com gestos pagãos de uma crença incerta.

A crise de Fé leva à crise moral presente não só no mundo mas também por vezes em nós quando o nosso modo de vida não difere muito de quem não acredita. Como diz São Paulo, devemos ser irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem mancha, no meio de uma geração perversa e corrompida; nela brilhais como astros no mundo (Fl 2, 15). Mas muitas vezes pouca diferença e brilho existe, com uma Fé frágil, vazia e sem substância não temos a força para formar e edificar a nossa vida cristã.
Por aqui já temos casos de quem não coloca os filhos na catequese em nome de uma suposta liberdade, isto é crise de Fé, e também é quando em casa não se transmite a Fé e se deixa tudo para a catequese, também é quando não se leva o filho à missa, também é quando se reduz a missa a um convivio/celebração da comunidade.
A Igreja existe para ajudar nestes casos, e o mundo precisa que brilhemos e façamos um esforço adicional.

Por isso não nos conformemos porque actualmente a pessoa comum que vive de forma normal, mesmo sem cair em extremos, já está afastada da vida cristã e da Fé que Cristo nos veio dar, colocando a salvação em risco e onde o tesouro da Fé não foi recebido nem é transmitido aos seus filhos e netos.

"Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2, 3-4) façamos a nossa parte para persevar o dogma da Fé para que todos conhecendo a Verdade se salvem.

O mundo
Nos Evangelhos Jesus fala diversas vezes sobre a oposição que existe entre Ele e o mundo.
"Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo.
Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo, e por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade." (Jo 17, 14-19)


O mundo onde nascemos não é compatível com Deus por causa do pecado e da nossa natureza, fruto do pecado original. Por isso necessitamos de salvação, sem Jesus já estavamos condenados. É o abismo que existe entre o mundo e Deus, "entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós." (Lc 16, 26).

Pela salvação que Jesus alcançou esse abismo deixa de existir, e em vez de um abismo temos a possibilidade de uma forte comunhão, "Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada. 24Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que me enviou." (Jo 14, 23-24).

Mas para isto é necessário da nossa parte cooperarmos com a Graça de Deus, acreditarmos na Fé e convertermo-nos.

O mundo e a lógica do mundo onde existe o abismo continua, mesmo após o baptismo precisamos de ajuda para perseverarmos na Fé. Para isso Jesus deu-nos a Igreja e os sacramentos, principalmente a Hóstia Sagrada o como alimento da vida eterna.
Não é necessário retirarmo-nos todos para longe do mundo, temos de nele permanecer mas vivemos de maneira diferente, passamos a viver para Deus santificando o mundo.

Assim, a nossa Esperança não é de um mundo melhor ou uma vida feliz, esses são os nossos deveres de cristãos que devemos fazer e proporcionar mesmo aos pecadores e a quem não acredita, tendo sempre Deus como medida do Bem e não apenas o Homem ou o mundo. Na verdade a nossa Esperança é o Céu, a vida eterna no Reino de Deus quando o Senhor voltar, aqui na terra somos peregrinos, dirigimo-nos para a nossa pátria que é o Céu, como no plano original de Deus, antes do pecado original.

Por isso no mundo temos uma tarefa importante: escolher e preparar onde vamos passar a eternidade.
Ajudemo-nos uns aos outros para que seja no Céu, junto do Deus único e verdadeiro que nos criou por amor, para o conhecermos, amarmos e servirmos.

É isto que temos de conseguir dar às nossas crianças e jovens, a Fé e ajudá-los a converter-se. O maior amor que lhes podemos desejar é que alcancem o Céu para o qual foram criados! E o Céu não está garantido à partida, é necessário conversão, acreditar.

A Fé e o dever
No Evangelho na cura do servo do centurião Jesus mostra-nos o que é ter Fé, vejamos:

"Entrando em Cafarnaúm, aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos:
«Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente.»
Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo.» Respondeu-lhe o centurião:
«Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.»
Jesus, ao ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! Digo-vos que, do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob, no Reino do Céu, ao passo que os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.»
Disse, então, Jesus ao centurião: «Vai, que tudo se faça conforme a tua fé.» Naquela mesma hora, o servo ficou curado." (Mt 8, 5-13)


A grande Fé que Jesus encontra no centurião é esta: O centurião reconhece a existência de Deus e que Jesus é na verdade o Filho de Deus, a Deus tudo é possível basta dizer e assim se faz e reconhece a humildade e diferença que existe entre nós e Deus.

É este o sentido da Fé, acreditar em Deus e no que nos revelou em Jesus e acreditando vivemos como servos e filhos de Deus.

A Fé não está dependente de uma experiência ou encontro, a Fé é reconhecer e acreditar em Deus. E como Homens e Mulheres que acreditam edificam a sua vida em Deus e para Deus.

Nas XIV jornadas catequéticas da diocese do Porto vem indicado que o catequista é testemunha porque se deixou encontrar, tocar, amar, transformar por Jesus Cristo e pela comunidade. Ainda que seja sem intenção, tentando mostrar o lado belo, é apresentada a Fé e a nossa resposta moldada no sentido do mundo e não no sentido do Evangelho. Isto reduz a Fé a um sentimento e a nossa resposta deixa de ser humilde para passar a ser edificada nos beneficios que a Fé me possa dar.

Esta ideia de uma Fé que se adquire ou transmite por causa de um sentimento ou experiência é contrário ao Evangelho, segue a lógica do mundo centrada no «Eu». Jesus diversas vezes lamentava-se porque as pessoas se não vissem sinais extraordinários e prodígios não acreditavam (por exemplo Jo 4, 48). Querendo que a Fé seja adquirida ou transmitida por causa da um sentimento ou experiência caímos no mesmo erro! A Fé do centurião era grande porque acreditava em Deus e que Jesus era na verdade o Filho de Deus e as suas acções correspondiam ao que acreditava.

Assim, o catequista é testemunha porque tem Fé, acredita em Deus e no que nos revelou, assim ama-O, conhece-O e serve-O porque é Deus, e daí amando o próximo no amor de Deus quer que também eles se salvem e conheçam, amem e sirvam a Deus.

Precisamos de recuperar o sentido da humildade, do dever, de praticar o Bem, a justiça, a santidade. Se acreditamos em Deus e no que nos revelou temos de ser verdadeiros Filhos de Deus, devemos reconhecer o dever de sermos bons servos e bons filhos, o dever de praticar o Bem, a justiça, a santidade. Não somos cristãos e levamos uma vida cristã apenas porque isso é bom para nós, nós somos e fazemos porque é isso que é justo e verdadeiro.

Jesus sofreu e deu a vida por nós e indicou-nos o caminho (da porta estreita) que devemos seguir para recebermos os frutos da Sua redenção e da salvação. É um convite que nos faz, explicando qual a realidade da vida. A esse convite respondemos sim ou não. Como podemos perante Jesus que sofreu e deu a vida por nós dizer-Lhe que primeiro temos de fazer a experiência, o encontro para vermos se é bom e importante para mim?

Às nossas crianças ensinamos que devem respeitar e escutar os mais velhos, não lhes dizemos para fazerem a experiência de estar com os mais velhos e depois decidem se os respeitam e escutam.

Temos de aprender a conversão, aprender a abandonar o «Eu» e colocar o coração em Deus, o mundo está edificado no orgulho mas Jesus pede-nos para nos edificarmos na humildade. Somos a criatura que reconhece o seu criador e tudo o que fez e faz por ela.

Não é verdade que na missa rezamos "Dêmos graças ao Senhor nosso Deus. É nosso dever, é nossa salvação. Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,
é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte por Cristo, nosso Senhor.
", não rezamos também que "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo"?

Não é verdade que no Pai-Nosso rezamos "Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu"? Pois o vir a nós o Vosso Reino é para Deus ser Nosso Senhor, um Rei bom, justo e misericordioso para com o qual temos deveres como servos e como filhos. A vontade que queremos que seja feita na Terra como no Céu é a vontade de Deus, seguirmos os Seus mandamentos, amá-lO com toda a alma e todas as nossas forças.

É esta entrega, este amor de colocarmos Deus sempre em primeiro lugar, este nosso dever e nossa salvação de darmos graças sempre e em toda a parte que Jesus nos fala no episódio de Maria e Marta (Lc 10, 38-42). Maria escolheu a melhor parte, que é escutar Jesus a falar-lhe de Deus e do Seu Reino. Nesse momento diz-nos também Jesus que está é a única coisa necessária.

"Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento." (Mt 22, 37-38).

A transmissão da Fé e o acreditar está aqui, entregamo-nos à melhor parte, amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Acreditando é um dever que temos para com Deus, não depende de sentimentos, experiências ou dos benefícios que possamos receber.

É este amor, dever e entrega a fonte do amor ao próximo. Quem ama a Deus só pode fazer o que é bom, se pratica o mal mostra que deixou de amar a Deus. E quem deixa de amar a Deus nenhuma outra coisa lhe aproveita. É por isso que São Paulo indica "ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita." (1 Cor 13, 3). Nada do que façamos, mesmo que sejam boas obras, nos aproveitam se não vieram da melhor parte, do amar a Deus sobre todas as coisas. Do reconhecimento e entrega ao nosso Senhor e nosso Deus.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Não encontrei ninguém em Israel com tão grande Fé!

No Evangelho na cura do servo do centurião Jesus mostra-nos o que é ter Fé, vejamos:

"Entrando em Cafarnaúm, aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos:
«Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente.»
Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo.» Respondeu-lhe o centurião:
«Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.»
Jesus, ao ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! Digo-vos que, do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob, no Reino do Céu, ao passo que os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.»
Disse, então, Jesus ao centurião: «Vai, que tudo se faça conforme a tua fé.» Naquela mesma hora, o servo ficou curado." (Mt 8, 5-13)


A grande Fé que Jesus encontra no centurião é esta: O centurião reconhece a existência de Deus e que Jesus é na verdade o Filho de Deus, a Deus tudo é possível basta dizer e assim se faz e reconhece a humildade e diferença que existe entre nós e Deus.

É este o sentido da Fé, acreditar em Deus e no que nos revelou em Jesus e acreditando vivemos como servos e filhos de Deus.

A Fé não está dependente de uma experiência ou encontro, a Fé é reconhecer e acreditar em Deus. E como Homens e Mulheres que acreditam edificam a sua vida em Deus e para Deus.

Nas XIV jornadas catequéticas da diocese do Porto vem indicado que o catequista é testemunha porque se deixou encontrar, tocar, amar, transformar por Jesus Cristo e pela comunidade. Ainda que seja sem intenção, tentando mostrar o lado belo, é apresentada a Fé e a nossa resposta moldada no sentido do mundo e não no sentido do Evangelho. Isto reduz a Fé a um sentimento e a nossa resposta deixa de ser humilde para passar a ser edificada nos beneficios que a Fé me possa dar.

Esta ideia de uma Fé que se adquire ou transmite por causa de um sentimento ou experiência é contrário ao Evangelho, segue a lógica do mundo centrada no «Eu». Jesus diversas vezes lamentava-se porque as pessoas se não vissem sinais extraordinários e prodígios não acreditavam (por exemplo Jo 4, 48). Querendo que a Fé seja adquirida ou transmitida por causa da um sentimento ou experiência caímos no mesmo erro! A Fé do centurião era grande porque acreditava em Deus e que Jesus era na verdade o Filho de Deus e as suas acções correspondiam ao que acreditava.

Assim, o catequista é testemunha porque tem Fé, acredita em Deus e no que nos revelou, assim ama-O, conhece-O e serve-O porque é Deus, e daí amando o próximo no amor de Deus quer que também eles se salvem e conheçam, amem e sirvam a Deus.

Precisamos de recuperar o sentido da humildade, do dever, de praticar o Bem, a justiça, a santidade. Se acreditamos em Deus e no que nos revelou temos de ser verdadeiros Filhos de Deus, devemos reconhecer o dever de sermos bons servos e bons filhos, o dever de praticar o Bem, a justiça, a santidade. Não somos cristãos e levamos uma vida cristã apenas porque isso é bom para nós, nós somos e fazemos porque é isso que é justo e verdadeiro.

Jesus sofreu e deu a vida por nós e indicou-nos o caminho (da porta estreita) que devemos seguir para recebermos os frutos da Sua redenção e da salvação. É um convite que nos faz, explicando qual a realidade da vida. A esse convite respondemos sim ou não. Como podemos perante Jesus que sofreu e deu a vida por nós dizer-Lhe que primeiro temos de fazer a experiência, o encontro para vermos se é bom e importante para mim?

Às nossas crianças ensinamos que devem respeitar e escutar os mais velhos, não lhes dizemos para fazerem a experiência de estar com os mais velhos e depois decidem se os respeitam e escutam.

Temos de aprender a conversão, aprender a abandonar o «Eu» e colocar o coração em Deus, o mundo está edificado no orgulho mas Jesus pede-nos para nos edificarmos na humildade. Somos a criatura que reconhece o seu criador e tudo o que fez e faz por ela.

Não é verdade que na missa rezamos "Dêmos graças ao Senhor nosso Deus. É nosso dever, é nossa salvação. Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,
é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte por Cristo, nosso Senhor.
", não rezamos também que "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo"?

Não é verdade que no Pai-Nosso rezamos "Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu"? Pois o vir a nós o Vosso Reino é para Deus ser Nosso Senhor, um Rei bom, justo e misericordioso para com o qual temos deveres como servos e como filhos. A vontade que queremos que seja feita na Terra como no Céu é a vontade de Deus, seguirmos os Seus mandamentos, amá-lO com toda a alma e todas as nossas forças.

É esta entrega, este amor de colocarmos Deus sempre em primeiro lugar, este nosso dever e nossa salvação de darmos graças sempre e em toda a parte que Jesus nos fala no episódio de Maria e Marta (Lc 10, 38-42). Maria escolheu a melhor parte, que é escutar Jesus a falar-lhe de Deus e do Seu Reino. Nesse momento diz-nos também Jesus que está é a única coisa necessária.

"Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento." (Mt 22, 37-38).

A transmissão da Fé e o acreditar está aqui, entregamo-nos à melhor parte, amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Acreditando é um dever que temos para com Deus, não depende de sentimentos, experiências ou dos benefícios que possamos receber.

É este amor, dever e entrega a fonte do amor ao próximo. Quem ama a Deus só pode fazer o que é bom, se pratica o mal mostra que deixou de amar a Deus. E quem deixa de amar a Deus nenhuma outra coisa lhe aproveita. É por isso que São Paulo indica "ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita." (1 Cor 13, 3). Nada do que façamos, mesmo que sejam boas obras, nos aproveitam se não vieram da melhor parte, do amar a Deus sobre todas as coisas. Do reconhecimento e entrega ao nosso Senhor e nosso Deus.